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Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Sábado, Outubro 17, 2009
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Domingo, Setembro 27, 2009
Legislativas em Portugal
Hoje é dia de eleições… e lamentavelmente não vou poder contribuir com a minha infíma opinião para o novo governo do meu país.
Estou expectante quando aos resultados, mas aqui já é de madrugada e em Portugal ainda nem as urnas fecharam.
Aqui fica um dos sketches da Mafalda, uma miúda interessante, rodeada de personagens peculiares… Não se vê bem, mas merece o esforço de leitura!
Eu seria mais ou menos como o pai dessa amiguinha …

Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Sábado, Setembro 19, 2009
Hungry Ghost
Ontem foi o último dia do mês 7 do calendário Chinês.
Significa portanto que hoje é dia 1 do oitavo mês desse calendário. Se olharem para o céu irão ver que está Lua Nova. É sempre assim. No calendário chinês, a cada dia 15 temos a Lua Cheia e as marés altas à meia-noite, e a cada dia 1 temos a Lua Nova e as marés baixas ao meio-dia.
Mas este mês tem um significado particular para os chineses e de algumas formas ligadas ao Budismo. É o mês em que os espíritos saem do Inferno e vêm à terra esfomeados por outras vidas. E não, não estou a descrever a sinopse do último filme baseado num dos livros do Stephen King… é mesmo real que as pessoas acreditam nisso!
E com uma descrição destas… partilhar tal crença parece-me ser bastante assustador!
Andar um mês todo a achar que seres maléficos nos circundam ansiosos por “comerem” da vida de alguém é, no mínimo, perturbador. E não têm de ser entidades desconhecidas, acreditam que podem ser até antepassados familiares. E por outro lado, não sei até que ponto é que eles encaram esses espíritos fugidos por este mundo como sendo realmente entidades malévolas ou, se simplesmente, têm fome porque sim. Do género, “pronto ok o ser humano também come”… Cada um alimenta-se com o que precisa… uns com comida… outros com vidas… lá pensarão eles, digo eu.
Eu vejo tão amiúde pessoas em actividades um tanto ou quanto estranhas que acontece-me já nem ficar muito tempo a pensar naquilo. Viver-se no meio de tanta “variedade” tem a inevitável consequência de já não se conseguir separar o que é uma actividade habitué, de outra que seja uma festividade. E temos sempre aquela possibilidade que tudo engloba “ah, deve ser cultural”.
Onde é que eu vi, então, os primeiros sinais denunciadores que este 7º mês estava a acontecer? Ainda em Singapura, quando cheguei há quase 3 semanas. Estava no quarto e fui à janela, quando vi uma mulher a queimar muito papel e coisas indecifráveis num balde de metal à entrada do prédio. Ficou naquilo perto de 2h. E eu a pensar “Só me faltava ter uma vizinha que vem queimar os pertences para a porta do prédio!”, ao imaginar a dita senhora a fazer o mesmo em Portugal.
Dia seguinte, à noite, andava eu a passear. Passo por uma rua onde estava um homem a queimar montes de papel e mais umas misturas, muito semelhantemente à senhora do dia anterior, mas numa “fogueira” maior. Fico a olhar à distância. Fazia aquilo na via separadora de duas estradas! Começo a pensar que deve haver alguma relação entre aquelas duas “queimadas”, mas como é que havia de me fazer entender se perguntasse a alguém “ah, vi duas pessoas a queimarem coisas na rua…”? Vago, no mínimo!
Entretanto, mais outra das noites em Singapura (fiquei lá quase 2 semanas desta vez), venho de jantar e passo por uma fogueirinha que ainda ardia, rodeada de uma grande mancha negra de objectos queimados e muito incenso. Penso que aquilo já quase parece bruxaria ou lá o que era! Passo com certa distância… todo o passeio tinha marcas de se ter queimado coisas. Apesar de dedicar atenção às “fogueiras” que fui vendo, não ficava a pensar mais “naquilo” após terem saído do meu campo de visão.
Entretanto venho para a Malásia. Já esquecida das pessoas a queimarem coisas na rua, volto a ver o mesmo em Penang! Quase era caso para dizer “estes chineses são doidos!” Ainda tentei a sorte em dizer, como quem não quer a coisa, “estão ali a queimar…”, mas ninguém me deu seguimento à conversa e ficou por ali.
Até que graças ao Sr. Sim (o Miyagi portanto), fiquei a saber o que anda esta gente a fazer!
Queimam coisas que é para saciar a fome desses que por aí andam ao longo deste mês medonho. Semelhantemente aquele post que escrevi em que queimavam objectos de papel para os que estão no Além poderem usufruir desses mesmos objectos, agora queimam … coisas … várias… para que não lhes seja roubada a vida e esses Hungry Ghosts possam alimentar-se das suas fogueiras de oferenda sem causar danos.
Bem, eu fiquei assim meia chocada… Para já, imaginar “ghosts” esfomeados a fugir por uma comporta qualquer do “outro mundo” e a rodear ameaçadoramente “este mundo” durante um mês, parece-me uma imagem aterradora. Depois, combater isso, queimando papéis, alimentos e objectos não identificáveis (por mim), soa-me a uma solução igualmente estranha. Talvez seja essa a coerência, não é? Estranho com estranho se combate. E de facto, sempre se ouviu dizer “Alimento é fonte de vida”… ora se eles andam com fome de vida… queimam-se umas bananas… que também é alimento…
Deixo aqui algumas fotos para comprovar as actividades destes Chineses:
No passeio perto do hotel onde vivo.
Aqui temos os resquícios de uma fogueira e ao lado um montinho de terra (faz-me lembrar uma sepultura) com pauzinhos de incenso espetados.
Pode-se reparar na qualidade dos passeios da Malásia… também referi isso noutro post
Como não admirar a versatilidade e adaptabilidade de grandes marcas (de comida!) como o são a KFC? Quem pensa que KFC é só galinha, engane-se! É também recipiente para terra e incenso e alimento para todos os mundos!
Bem, e pode parecer que não, mas isto até a economia afecta! O hospital onde eu trabalho passou o mês às moscas por as pessoas não marcarem cirurgias (há que ter cuidados redobrados) e até aparecerem menos acidentes (as pessoas acreditando que algo de mal lhes pode acontecer…tomam mais precauções!). Os hotéis e afins também decresceram nos seus números, pois o pessoal não se casa neste mês!