Terça-feira, Março 2, 2010
Domingo, Fevereiro 28, 2010
Quarta-feira, Dezembro 16, 2009
Experiência
Filipe! Consegui recuar no tempo!!!!
Sinto-me no Regresso ao Futuro!
Terça-feira, Dezembro 15, 2009
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Lake Toba – Medan – Indonesia
Esta minha segunda ida à Indonésia não foi de todo planeada. Simplesmente estava a ver, para o fim-de-semana, destinos de avião que partissem directamente de Penang sem mais nenhum critério que não a aletoriadade das horas de partida e chegada. Encontrada a compatibilidade, só então entrava a análise da possível escolha.
As opções ainda eram variadas, quando resolvo dizer convictamente (sem na realidade estar o mínimo convencida, mas simplesmente porque me dá para essas coisas):
- I´m going to Medan.
Não sei porquê que, de quando a quando, as informações assim dadas num ápice inesperado (ainda que sem qualquer veracidade interna) suscitam mais efeito nos outros do que dizer o que seria realmente o reflexo do meu pensamento:
“I could go to Medan, but I’m not sure if it is worth it…”
Assim, face à proclamação do anúncio da minha (ainda pseudo) viagem com toda a vontade e certeza, recebo de um colega (estava numa sala com mais gente):
- Oh, really?
E eu a continuar na minha fantasia:
- Oh yeah!
E então aqui esperamos sempre a reacção do outro… tipo, será uma face de “ó coitada”, ou um inverso de “ó que fixe”, ou um ponto de interrogação de quem não sabe ou um total inexpressivo desinteresse…ou seja lá o que for! E assim veio um curioso:
- You’re going to see Lake Toba?
E eu a pensar “Um lago? As pessoas associam Medan apenas a um lago??? Não sei se isto valerá a pena…”. E lá questiono ignorante:
- Lake Toba? What is that? A lake?
E depois veio a resposta que que lançou auroras bureaus sobre a minha (já mais perto do real) fantasia de Medan:
- It’s a huge volcano they have there. Toba is the lake on the crater.
Falem-me de vulcões e eu corro para eles como abelhas para mel! E se for um vulcão, assim ainda mais especial que os outros… bem, entro num ligeiro êxtase de dificil controlo… E então o que se faz? Tenta-se descobrir mais e… vai-se ao Google, não é?
E então assim, desta forma singela, descubri que o Lake Toba é o maior lago vulcânico do mundo! Ou seja, não é cá um lago qualquer! :) Sendo que o vulcão que lhe deu origem teve a maior erupção vulcânica (dizem os teóricos entendidos) dos últimos 25 milhões de anos!!
De facto é muito ano e a maioria de nós (com cientistas incluídos) não fazem ideia de como era a Terra há 25 milhões de anos. Talvez seja uma ajuda dizer que já não haviam dinossauros na altura – estes extinguiram-se (por óbito massiço de origem ainda não confirmada, mas muito especulada) há cerca de 65 milhões de anos.
Bem, essa grande explosão vulcânica do vulcão Toba ocorreu há 74 mil anos atrás (e é considerada a maior dos últimos 25 milhões para não confundir datas). Foi de tal forma poderosa que terá provocado uma alteração climática global – a temperatura média terrestre desceu cerca de 3,5 graus durante vários anos – e matou a maioria dos seres humanos que existiam naquela altura (portanto já havia pessoas há 74 mil anos).
Algo interessante que eu desconhecia é que a nossa espécie não apresenta uma diversidade genética tão ampla quanto seria de esperar dada a sua antiguidade. Segundo algumas teorias, isso poderá dever-se à erupção do Toba! O facto de ter morto tantos humanos levou a um decréscimo significativo do legado genético até aos dias de hoje! O fenómeno é conhecido por bottle neck effect.
Fiquei impressionada….
E assim expectante e entusiasmada, comprei bilhete quase de imediato para mim e mais uma colega/amiga (Ana) que não se importou de acompanhar os meus desejos.
Dia seguinte, Sexta-feira 27 de Novembro, e lá íamos nós em direcção à ilha de Sumatra.
DIA 1
Quando vou a primeira vez a um novo país, principalmente aqui na Ásia, fico sempre ligeiramente apreensiva pois não faço ideia do que vou encontrar. Os contrastes chegam a ser dramáticos e nem sempre tenho uma ideia clara de cada cultura (ou melhor dito, raramente tenho). Regressar novamente à Indonésia já me poderia parecer quase corriqueiro, mas bastou sair do aeroporto e assistir àquele caos de taxistas a perseguirem-me para re-sentir o choque do primeiro contacto em Bali.
Mais uma vez tive de passar pela chatice de pagar um visto, andar para trás e para a frente já sem passaporte para levantar Rupias de uma caixa multibanco rodeada de dezenas de homens escurinhos, curiosos e sem qualquer problema em me observarem sem disfarce. O taxista que já tinha marcado o seu território à nossa volta e nos seguia colado para onde quer que nos dirigíssemos, fazia conversa com a massa humana envolvente, aparentemente, acerca das duas turistas brancas. Éramos a atracção da noite naquele local e, de facto, foi o único aeroporto onde estive em que não havia mais ninguém de aparência ocidental.
Num ambiente estranho e estando num país com elevados níveis de pobreza (de facto até agora o país mais pobre em que estive de acordo com a minha percepção), levantar dinheiro é das actividades mais desconfortáveis que já fiz. Os olhares especados causam um receio inerente perante o seu número e o seu aspecto. Tem-se noção que somos um cifrão com pernas e apenas espero não precisar delas para correr a fugir dali! Lol Levantei um milhão de rupias, cerca de 70 euros e sei que para muitos aquilo é o equivalente a 2 ordenados. Imagino-me a sair da estação de S. Bento no Porto de madrugada e levantar 1000 euros, sozinha, diante de uns quantos a deambularem pelas ruas e a precisar de escolher um que me leve a casa… dá um ligeiro calafrio, mas a verdade, é que apesar do medo e da aparência duvidosa, nunca tive qualquer problema de roubo ou assédio. As pessoas são extremamente educadas e respeitosas.
Já com dinheiro para pagar o visto (igual ao de Bali, o equivalente a 10 dólares americanos), retornamos para levantar o passaporte. Numa pequena sala, dorme estendido e descalço um guarda no sofá, enquanto outros dois vêem televisão de imagem granulenta. Só me dá vontade de rir…achei piada ao cenário de controlo fronteiriço.
Fazem as suas perguntas que me soam sempre aleatórias e simpaticamente lá nos colocam o visto.
Saímos novamente para a confusão nocturna dos táxis e já o nosso “motorista” auto-contratado nos esperava airoso e de mala do carro aberta.
A viagem foi curta. Nada como Bali em que andei quase 2h de táxi a achar que poderia ser raptada a qualquer momento. (corar)
Chegamos ao nosso hotel Marriot de 5 estrelas, um gigante de luxo rodeado de uma imensidão de barracas. O preço consegui-o a 25 euros por noite, pequeno-almoço incluído. Incrível!
Como em quase todos os hotéis que estive na Indonésia, passamos por um aparatoso sistema de segurança para entrarmos no edifício. Revista do veículo que nos transporta, mais detecção de metais à entrada. Tipo aeroporto, mas em que é mais fazer cumprir o procedimento do que realmente garantir a segurança.
DIA 2
O quarto era muito fixe, idêntico ao do Sheraton do Porto. De manhã foi quando tivemos noção da vastidão de pobreza que nos envolvia. Do nosso 24º andar, tínhamos uma excelente panorâmica:
Medan, capital da ilha de Sumatra, com mais de 3 milhões de habitantes.
O estilo habitacional mais comum, placas metálicas em cima de tábuas.
Descemos. O pequeno-almoço era óptimo! Uma incrível variedade de opções entre estilo oriental (porridge, noodles, tom yam, nasi goreng, etc) e ocidental (leite, cereais, pão, queijos, doces, etc). Menciono apenas o “básico-standard” de ambos os lados…depois havia o complexo, lol.
Perspectiva global da mesa
Costumo dizer que não nos devemos limitar no paladar (nem noutras coisas) pelo que nos é normalmente apresentado. Tosta com doce de abóbora e salmão fumado É BOM!
O nosso objectivo era muito dirigido: Lake Toba. Mas por muito fácil que pudesse parecer lá chegar, a verdade é que foi bem complicado. Primeiro lugar, barreiras linguísticas. A comunicação foi quase sempre difícil mesmo com os empregados do hotel. Dizem que falam inglês, mas não especificam se esse “falar” permite “comunicar”. LOL Pois…falar, falam, quanto a perceberem e fazerem-se perceber já é outro requisito que pode não estar contemplado! Lol Portanto, depois de muitos telefonemas e tentativas, lá nos puseram a lista de opções à frente. Que opções eram essas? Escolhermos o carro para nos levar.
Eu que levava a ideia de simplesmente apanhar um táxi, estava agora ali com uma lista de carros super quitados à disposição. Mas atenção que agora já pagava mais pelo aluguer do carro do que pelo quarto! Não achei muita piada à coisa, mas pelo que diziam (e iria lá eu contrariar!) teríamos de ir com um carro seguro e motorista identificado e tal. Ok pronto, ficamos com um modelo intermédio que o de baixa gama já estava todo requisitado. Cerca de 80 euros para 12h de aluguer. Um balúrdio. Tentam de seguida impingir um guia (que é o que me irrita nestas coisas de não conhecer bem, estarem sempre a impingir serviços) por mais não sei quantas rupias. Mas se eu já levo um motorista para quê que vou levar um guia?!?!? O motorista pode não falar inglês, dizem-me. Peço que já que vão escolher um motorista escolham um que fale inglês. Lá chega o homem no “nosso” carro…não falava inglês. Nadinha! Azar.
Lamento não ter trazido o meu livro de Malaio e lá tento ir adestrando umas frases nesse idioma tão quase igual ao Indonésio. Coisa difícil…o homem deve ter-me achado um animal do mato pela precariedade da minha construção frásica. Enfim, para não esquecer o pouco que fui aprendendo (e pode não estar gramaticalmente correcto!):
Eu quero comer – Saya mahu makan.
Você quer comer? – Anda mahu makan?
Poder ir quarto de banho? – Boleh pergi tandas?
Por favor, espere aqui. – Sila, tunggu di sini.
Quantas horas Lake Toba? – Berapa jam Lake toba?
E pronto, pouco passava de diferentes cruzamentos destas palavras e lá se formavam frases diferentes.
Demorámos HORAS a chegar ao local pretendido! Cinco horas para 170 km!! Mal saímos do hotel encalhamos num trânsito imenso. Parecia navegarmos num matagal de sucata cada vez que, morosamente, atravessávamos os cruzamentos compactados de filas de carros (velhos) voltados em todas as direcções. Devagar, devagarinho, com buzinadelas ininterruptas – penso que buzinar deve ser uma forma comum e sofisticada de comunicação na Indonésia – lá fomos saindo da cidade.
Estrada afora e o cenário acelerava ligeiramente. Ruas estreitas e sem passeios implicam que as pessoas e animais caminhem sempre junto aos carros. Isto poderia significar um atraso na marcha, mas de facto, não sei como sobrevivem sem atropelamentos ou acidentes, porque com as referidas buzinadelas, é sempre a ultrapassar num contínuo pára arranca.
Fascinante capacidade de adaptação da vida ao seu contexto.
A paisagem era interessante pela sua diferença de contraste com o “meu mundo”, mas ao longo dos quilómetros, como é natural, não é que variasse muito. Não vi extensos campos de arroz como em Bali, mas sim plantações mais quintalestas (de quintal). Foi frequente vermos campas de cemitério lado a lado com casas e respectivos terrenos. Não me apercebi de nenhuma delimitação de cemitério… as campas simplesmente aparecem espalhadas ao longo da estrada intercalando com as construções habitacionais e comerciais. Isso parece-me sempre estranho…
(tinha fotos giras disto, mas acho que as perdi)
Conseguindo evitar o enjoo, chegou-me a fome. Momento portanto para usar uma das minhas frases de Malaio e tentar comer em algum sítio que eu gostasse da comida. Ao fim de quase um ano já não interessa aquela coisa de “quero experimentar o que é tradicional do povo”. Eu já sei o que é…e também já sei o que gosto, lol. Ao ver as tendas de comida na face da estrada já sabia o que nos esperava: PICANTE. Não me apetecia…
O considerativo taxista estacionou em frente a um KFC Indonês. Pareceu-me bem… comida aparentemente mais limpinha sem fumos directos de tubo de escape e possibilidade de não-picante. As fotografias (e como eu adoro fotografias dos pratos para ajudar à selecção!) eram, como habitualmente, maiores do que a realidade. Tive de pedir duas doses, mais sobremesa. As doses deles nunca me chegam! Desta vez, massinha num pacote:
KFC:
E o meu almoço:
Convidei o nosso motorista para almoçar connosco e ele lá se arranjou numa mesa ao lado. Muito independente o homem, sim senhora. :) Ficamos um tempo parados ainda, que já cansava estar sentada. E ele aproveitou e lá se estendeu na rua a descansar também. Relax. (É comum em qualquer sitio dos que estive na Ásia uma pessoa deitar-se a descansar.) A parte engraçada é que não é preciso falar muito…uma pessoa limita-se a expressões faciais e a imitar o outro para comunicar. Estaremos provavelmente próximos de usar os primórdios da comunicação desta forma! :D lol Nada como ensaiar origens!
E mais estrada pela frente. O vulcão já me parecia realmente longe. Começou a chover e uma neblina encobriu as paisagens. Buzinadelas, curvas, travagens, ultrapassagens e buzinadelas. A viagem prosseguia e eu a ver que ia lá chegar já quase a anoitecer!
Chegamos. De facto o nevoeiro não ajudava. Um lago imenso recortado pelas nuvens com uma ilha no meio não adivinharia a cratera de um vulcão. Mas eu lá ia entusiasmada por pisar solo poderoso e histórico.
Lake Toba:
Paramos para apreciar a paisagem. Rapidamente ficamos rodeadas de macacos. Eu gosto de animais, mas estou farta de macacos. São demasiado atrevidos…não nos têm medo e quem fica com receio sou eu. Nunca sabe o que pode sair de um animal que partilha quase todo o nosso património genético! É como as pessoas…
Uma pedra a assinalar um café:
E os macacos a passarem ao lado:
Sem conseguirmos comunicar grandemente, o nosso motorista lá nos leva pelos sítios que ele consideraria turísticos. Quem não sabe, tem de confiar! A rodear o lago, encontramos sobretudo mercados e hotéis. Para mim isso não foi nada de novo… Bali já me tinha mostrado o que são os mercados turísticos da Indonésia. É quase como os macacos…acho-os giros e até gosto de os olhar, mas já quase me dão medo aproximar só para não ter de aturar o impinjamento de produtos e a habitual rotineira e já cansativa discussão de preços.
Existem depois também os mercados da população, diferentes…
…mas muito parecidos aos da Malásia e Tailândia.
Algo mesmo diferenciador… :
Arquitectura típica da Indonésia: os telhados em bico. É do mais caracterizador que conheço do país. Estas estavam junto ao Lago Toba.
De seguida, por sugestão do motorista fomos lá para um canto que tinha uns barquitos para negociar a travessia do lago para a ilha que existe no meio – Samosir Island. Esta ilha de Samosir é a maior ilha do mundo dentro de outra ilha (se me faço entender) e a quinta maior ilha que fica no meio de um lago. Acrescento que foi um péssimo negócio para nós – sempre a aproveitarem-se do turista ignorante – mas pronto, quando se já está onde jamais se pensou estar, uma pessoa paga e pronto. Se bem me lembro o barco ter-nos-á custado cerca de 40 euros. Um balúrdio nos padrões da Indónesia.
E lá vamos os quatro: o barquista, o motorista eu e a Ana. Simpático e obviamente sem as preocupações de segurança que cá nos obrigam, deixou-nos conduzir. Lá ia eu ao volante:
Total domínio!
O nosso motorista ia agachado atrás do banco…talvez não confiasse na condução!
Aparências de chegada:
Samoisir habitada e o rodear as margens.
Chegadas à ilha, iniciamos a exploração. Aqui está o edífico do porto de chegada dos barcos:
Eu estava a apagar fotos, pois tinha o meu cartão cheio (é frequente acontecer-me!)…
O motorista também aproveitou e foi lá fazer a vida dele. A ilha é muito interessante, quase como se tivesse desenvolvido uma cultura e crenças próprias. Tentei juntar-me a um grupo para ouvir o guia, mas não tive sorte pois falavam apenas Bahasa. Tentei apanhar uma ou outra palavra, mas não chegou…
Cansada ou não dos mercados, fui de compras e lá gastei mais umas quantas rupias em coisas giras.
Os mercados de artigos artesanais dirigidos principalmente aos turistas:
O aspecto geral das ruas, esta uma rua principal:
E uma típica rua secundária:
Uma loja mais arranjandinha… aqui comprei uma toalha (supostamente) feita à mão:
Foi então por estas caminhadas que encontrei o grupo de turistas em redor de umas estátuas e junto do qual me sentei a tentar perceber o que significariam.
Um dos vários monumentos que nesse local se encontravam (atenção ao detalhe!):
Não percebi… Vê-se umas cruzes nas fotos… também não percebi o que fazem cruzes em terras muçulmanas… Mais tarde vim a saber que em Samosir vive um povo cuja etnia se chama Batak e que são Cristãos devido a umas acções missionárias do passado.
Claro que por muito trabalho missionário que tenha sido feito, as crenças e os costumes fundem-se com a envolvência e existe um conjunto de práticas que em nada lembra a um Cristão. Estou, portanto, a desculpar-me pelo facto de ter andado para lá a brincar com umas estátuas sem me ter ocorrido que poderiam ter um significa mais profundo e/ou religioso…
Eu a fazer de estátua numa fila de estátuas:
Tótens… haviam muitos tótens… lembrou-me Sitka no Alaska (uma cidade também cheia de tótens):
Mais estátuas… várias a rodear uma árvore:
Eu sei… eu sei…
Alivia-me saber que não fui a única… a Ana fez parecido…!
Concluíndo… estas estátuas situam-se num cemitério e são produto de um conjunto de rituais fúnebres… Depois de ter andado a brincar com oferendas chinesas para os “do outro mundo”, agora andei nestas figuras… :|
Devia-se sempre ler a wikipedia…:
http://en.wikipedia.org/wiki/Batak_(Indonesia)
Ficou noite entretanto (dá para reparar nas fotos anteriores) e começou a chover. De facto, senti frio!! Coisa rara nesta parte do mundo. Retornamos ao nosso barco para voltar e o lago estava já turbulento com as rajadas de vento que surgiram inesperadamente. Senti receio…não me pareceu que aquele barquito estivesse preparado para temporais… O motor arrancou e lá íamos nós a levar com a chuva toda na cara… Noite cerrada já mal víamos a outra costa…
Nhéééééé…..breééééé…. nhéééé´….brééééé…..nheque nheque…bré… nhec… poc. O motor parou. Quase tive um chilique, mas controlei-me (por enquanto!). Os dois homens saltam para a parte de trás do barco e põem-se para lá a bater no motor. O barco balouçava e a água entrava quer das ondas quer da chuva. O que vale é que entrava e saía pela parte de trás… conseguia ainda ver o sítio donde partimos e só me deu vontade de saltar para a água e nadar de volta antes que as coisas piorassem e aqueles malucos conseguissem arrancar e afastar-nos ainda mais da costa. Não tínhamos coletes… Já não estávamos assim tão perto… Penso que a ideia não seria boa. A Ana parece calma. Mas eu também pareço e não estou. Lembro-me das notícias dos jornais em que quase semanalmente se afundam embarcações na Indonésia e morrem uns quantos de cada vez. Penso que raio de ideia foi esta de confiarmos em qualquer bote flutuante. Tento acalmar-me… Os dois homens para lá estão a falar… pergunto-me se um motorista de táxi também perceberá de barcos. Resolvo perguntar, porque já me começo a passar com a espera, a ridícula pergunta “Há problemas?”. Obviamente que o queria dizer era “CLARO QUE HÁ PROBLEMAS!!! MAS TÊM A SOLUÇÃO???” E eles respondem também de forma espera “Não, não! Não há problemas.” Gelada, com a roupa molhada colada ao corpo, a levar com as ondas na cara no meio de um lago à mercê de um temporal, de noite, num barquito cujo motor pifou… não, não vejo qualquer problema. Habitué para mim. Passo por isto, ó, frequentemente!
Começo a pensar se o meu telemóvel funcionará e se ligar para alguém será que a ajuda chega a tempo? O motor recupera no meio do meu aperto de angústia e lá retomamos. Escusado será dizer que fiz todo o tempo de viagem a ver quando é que aquilo parava novamente. O barquista motivado ainda nos queria ir mostrar uma cascata não sei aonde. Dissemos-lhe que “não é necessário”…
Terra firme… vida salva. Felicidade! O motorista, homem pelos vistos prevenido, vai à mala buscar outra camisa para tirar a molhada. Até fiquei impressionada! Trocam dinheiro, ele e o barquista… habitual estes negócios. Já nem me importam.
Mais 5h de viagem de retorno. Começo a pensar porque razão terá ficado noite tão cedo… mais cedo que na Malásia…
A bater o dente lá íamos a ver a paisagem nocturna. Semelhantemente ao que já tinha visto antes, a luz artificial é pouca, mas existe sempre. O movimento humano também. Paramos para jantar numa “espécie” de shopping. Novamente tivemos de pedir duas doses de comida. :) Estava boa!
Nasi Ayam – Arroz de galinha (muito comum e muito bom):
E as bebidas…. Sumo de abacate com chocolate e o “tradicional” sumo de laranja:
O abacate com chocolate não estava tão bom como o arroz de frango…
Mais estrada pela frente, chuva e algum retorno do enjoo…
Perto da meia-noite lá chegámos…
Hotel de luxo… Descanso… Cocktail no bar antes de ir dormir. Realidades contrastantes. Saboreios de vida.
DIA 3
Dia de exploração da capital de Sumatra – Medan.
Um dia mais relaxado, em que decidimos fazer toda a nossa exploração da cidade a pé. O trânsito pode ser caótico, mas a pé contorna-se.
As impressões que Medan me deixa são as seguintes:
- Imensidão de gente, morena, pequena e magra.
- Pessoas muito queridas e atenciosas.
- Trânsito, muito, imenso, caótico.
- Sujidade e poluição.
- Muitos sorrisos e olhos brilhantes.
- Os muito ricos e os muito pobres.
- Ruído, buzinas, constantes.
- Movimento.
- Cores.
Algumas imagens deste dia:
The people’s smiles - Os sorrisos dessas pessoas
Ao atravessar a rua repararam na câmara que eu trazia na mão:
Crianças mum pequeno pedaço de mato ao verem-nos passar:
A polícia sorriu-me e eu resolvi sorrir com eles:
Numa livraria onde o senhor se despediu de nós com um abraço!
O movimento, as cores, a confusão, o típico
As lojas de roupa… as modas não são apenas cíclicas…são também geográficas!
Os diferentes véus:
A acompanharem (ou não, depende) com os vestidos:
O “parque de estacionamento” local… tão organizado que até espanta!
À entrada de uma espécie de feira do livro usado (onde conhecemos o senhor da foto anterior). Pasar Buku = Mercado do Livro
Outros mercados de rua…
Uma rua na passagem… Cartazes de flores (um dos muitos festivais religiosos que se aproximam. As festas nesta parte do globo são quase sempre – se não sempre – de cariz religioso)… Tuc Tucs, os táxis tradicionais à estilo da Tailândia… E os homens que parecem partilhar todos de conhecimentos de mecânica!
Lunch break!
O almoço: Satey – Contribui para a cor
E a bebida:
Fresh coconut…. Delicious!… something we should so much have…!!!
A pobreza e a poluição:
Crianças a remexer no lixo ao lado da linha de comboio…
Felizmente parece haver casas em quantindade suficiente para a população e o número de desalojados talvez não seja assim tão superior ao nosso (especulo!). Nesta foto, estão duas crianças (a mais pequenina apenas se vê as pernitas debaixo da mesa) a vender sumos e sementes numa bancada à porta de casa. Provavelmente será o negócio da família.
Os típicos passeios de peões:
Esta prova de obstáculos que são os passeios, assustam apenas de olhar para o que esconde cada buraco:
O que naturalmene resulta numa acumulação de resíduos em qualquer canto (ou recta de estrada!):
FOTOS
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Sábado, Outubro 17, 2009
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Domingo, Setembro 27, 2009
Legislativas em Portugal
Hoje é dia de eleições… e lamentavelmente não vou poder contribuir com a minha infíma opinião para o novo governo do meu país.
Estou expectante quando aos resultados, mas aqui já é de madrugada e em Portugal ainda nem as urnas fecharam.
Aqui fica um dos sketches da Mafalda, uma miúda interessante, rodeada de personagens peculiares…
Não se vê bem, mas merece o esforço de leitura!
Eu seria mais ou menos como o pai dessa amiguinha
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